Sempre fui fã da Cesária. Embora pouco entendesse as letras, a música sempre mexeu comigo. O som da cesária sempre me aqueceu a alma e fez com que o corpo quisesse movimentar-se ao seu ritmo.
Hoje deu-me na telha ir pesquisar a tradução da música sodade no amigo google. E, espanto... ou não existe , ou eu não pesquisei como deve ser. O que é certo, é que apenas encontrei a letra escrita em crioulo. Pensei para com os meus botões: no problem babe, afinal tu és uma poliglota "de ocasião, mas mesmo assim uma poliglota" tal e qual respondeste ao teu chefe na entrevista para o cargo que agora ocupas e, como tal vais dar volta à situação... Depois de atendermos milhares de pessoas, de todos os cantos do mundo, inconscientemente começamos a apanhar e a guardar pequenas palavras que aos poucos se vão transformando em frases e, quando se dá pela coisa, já estamos a formar pequenos diálogos nas mais variadas línguas e dialectos, "toscos sem dúvida, mas diálogos", sem nos apercebermos. E o crioulo não é excepção. Afinal, hoje, depois de ler a letra da Cesária três vezes, acabei por descobrir facilmente a tradução... sem ajuda.
Obrigada pai, pelas mornas e coladeras que trouxeste de África e que me ensinaste a apreciar desde pequena. E obrigada trabalhinho querido, que por muito desgastante que sejas, acabas sempre (para além de me pagares a renda da casa, água, luz , gás e afins...) por me ensinar algo de novo.
O povo costuma dizer que quando se bate no fundo do poço, o destino seguinte é voltar a subir… E eu concordo plenamente, pois com certeza, até porque a lei da gravidade assim o dita. Qualquer cadáver vitima de afogamento tem tendência a boiar, logo, a subir… mas não na vida. (E é sempre a porra dessa parte, que a malta se esquece de referir).
Portanto meus amigos, se um dia se acharem no fundo poço… Cá para mim, a atitude mais acertada será sempre aquela, em que após engolirem alguns sapos, estendem a mão e esperam humildemente que uma alma caridosa a agarre e, vos volte a puxar para cima ainda com algum ar nos pulmões.
Não são os locais que fazem as pessoas, são as pessoas que fazem os locais...
Porque certos são os locais onde estão os meus amigos e, não os locais onde era suposto eles estarem...